REEDUCAÇÃO
E TRADIÇÃO
Ph.E.Souchard
Concordamos
em afirmar que a tradição
é soma dos conhecimentos dos antigos,
bem pouco, mesmo aqueles que se pretendem
tradicionais, sabem realmente o que significa
a palavra.
A
reflexão à qual o homem
se entrega há milênio sobre
os diferentes aspectos do seu saber permitiu
deduzir princípios a partir dos
quais organiza harmoniosamente nosso Universo.
Desde que o conhecimento em um domínio
preciso assuma um caráter de verdade
universal, através do confronto
com os métodos de trabalho, ele
só pode se traduzir dentro de uma
linguagem comum alegórica ou hermética.
Um
perigo aparece imediatamente: se a soma
dos conhecimentos dos antigos não
é mais utilizável diretamente,
certos fragmentos deste saber ancestral,
tomados isoladamente, parecerá
simples de interpretar desde que sejam
destacados de seu contexto. As simplificações
excessivas tornem-se freqüentes e
se perpetuam. Alegria torna-se “Imagem
d Epiral”. O Hermetismo torna-se
receita. A tradição bioenergética
chinesa, que mais inspirou o domínio
médico, constitui um excelente
exemplo deste estado de fato, já
que muito freqüentemente nossos técnicos
se pintam de um orientalismo grosseiro,
biombo chinês de nossas incompetências.
Retomemos o exemplo chinês. Na realidade,
somente duas formas são possíveis:
a primeira baseia-se no conhecimento aprofundado
do I Ching e sobre sua interpretação
para verificar, pelo intérprete
de competência séria, a exatidão
das deduções feitas. A segunda
apóia-se sobre pesquisas sistemáticas
num domínio particular e verificar,
junto a este antigo computador que é
o I Ching, a legitimidade das descobertas
realizadas.
Se
o processo é universo podemos constatar
que a via é única, e que
a mensagem dos antigos, só é
acessível para aqueles cuja evolução
pessoal do raciocínio suficientemente
aprofundado leva-os a uma reflexão
sobre seus próprios conhecimentos.
No domínio que é mais particularmente
o nosso , podemos deduzir três princípios
do conhecimemto ancestral.
Primeiro
principio: cada individuo sendo
único, é necessário
tratar o doente e não as doenças.
Sendo o indivíduo, por outro lado,
indissociável do seu meio, ele
deve ser tratado em função
do contexto.
Segundo
principio: cada indivíduo
sendo indivisível, todo tratamento
deverá ser global. Da interpretação
do segundo principio, deduz-se que um
tratamento global, levando-se em conta
todos os elementos de uma afecção,
permitirá colocar em evidência,
ao mesmo tempo, a conseqüência
e a causa de uma lesão, de onde
por extensão.
Terceiro
princípio: todo tratamento
pode e deve remontar do sintomas à
causa de uma doença. Por outro
lado, a tradição chinesa
estabelece as diferenças existentes
entre quantidades e qualidade de energia.
Observamos
agora no Ocidente e na nossa época
quais são os trabalhos que podem
se inscrever na linha da tradição.
Este exame, não tem de3 jeito nenhum,
a pretensão de ser exaustivo.
No
início do século passado,
Samuel Hahnemann estabeleceu a Lei da
Similaridade assinalada por Hipócrates
e Paracelso.
É
possível tratar o mal com produtos
que causam o mal. Mas, estes remédios
deverão ser administrados de forma
qualitativa graças às doses
infinitesimais. A homeopatia tem o poder
de abolir as causas da doença administrando
os medicamentos, cujo papel de cada um,
é cobrir o maior número
de sinais clínicos apresentados
pelo doente. A alopatia intervém
quantitativamente seguindo a Lei dos Opostos.
O remédio administrado em dosagens
fortes é aquele que provoca os
sintomas inversos da doença.
Na
nossa época, Jacques Pialoux, cuja
obra parte da interpretação
do I Ching, afirma que existe uma invenção
de polaridade entre estrutura e energia.
Uma estrutura Yin libera uma energia Yang,
uma estrutura Yang libera uma energia
Yin.
Confirma-se assim, a legitimidade da diferença
existente entre as abordagens homeopáticas
e alopáticas; similaridade qualitativa
pela homeopática, oposto quantitativa
pela alopatia. Todavia, é necessária
sublinhar, que a alopatia não se
preocupando nem com a globalidade e nem
com a causalidade, não pode, contrariamente
à homeopatia, achar seu lugar na
tradição. No que concerne
à reeducação, a primeira
abordagem não analítica
colocou em evidência uma cadeia
dos músculos posteriores (Método
Meziéres). Essencialmente quantitativo,
este método que ensinei durante
10 anos estira estes músculos posteriores
retraídos.
Método Reeducação
Postural Global
Partindo
deste princípio, os trabalhadores
que fui desenvolvimento para tentar compreender
o fundamento bio-mecânico dos primeiros
princípios deste método
serviram de ponto de partida para criação
do R.P.G. (método do campo fechado
“Champ Clos”). Sua abordagem
é, enfim, global já que
os estiramentos impostos se propagam até
as extremidades dos membros. Os grupos
musculares concernentes por estes estiramentos
não estão situados somente
no plano posterior; são todos os
músculos de caráter tônico,
isto quer dizer, músculos da estética,
músculos inspiradores, músculos
suspensores, que devem ser alongados.
Este
alongamento é feito muito progressivamente
de maneira quantitativa e de acordo com
a Lei da Similaridade homeopática,
já que é obtido pela solicitação
paradoxal da contração dos
músculos hipertônicos. Trata-se,
neste caso, de uma contração
isotônica excêntrica de baixa
intensidade, ou mesmo isométrica
excêntrica. Quanto aos músculos
da músculos da dinâmica,
eles devem ser exercitados em isotônica
em isotônica concêntrica.
Enfim,
quando durante uma mesma postura são
colocados em tração todos
os músculos retraídos concernentes
a uma lesão, torna-se possível
partir da conseqüência e chegar
à causa da lesão.
A globalidade foi respeitada.